Project Statements — Exhibitions
Curatorial statement
Exhibitions is a curatorial project that understands exhibitions not as final presentations of a body of work, but as critical structures in which images, objects, and spatial devices are tested, displaced, and reconfigured. Rather than functioning as a synthesis of an artistic practice, each exhibition asserts itself as a concrete proposal, inseparable from its context. Meaning is constructed over the duration of the visitor’s experience, through the articulation of time and space.
Within this project, the exhibition space becomes a field of research and experimentation — an open process rather than a closed exhibition. Images, sounds, and materials are organised through processes of selection, sequencing, and installation that privilege the unfinished over the definitive, allowing relationships between objects, intervals, and absences — understood as spaces and silences produced through montage — to emerge through the spectator’s sustained attention and engagement. The focus shifts from the image as an autonomous unit to the conditions of its appearance: how images coexist, how they are approached, and how they are perceived over time. What is at stake is not only what is shown, but what is activated by the way it appears. When objects such as glasses or items of clothing are displaced from their habitual use and placed in relation to other images and in space, they operate as traces of an unoccupied body, producing a perceptual displacement in the spectator. This effect may evoke unease, intimacy, or a sense of haunting — the suggestion of a presence that has withdrawn, leaving traces rather than representations. In this sense, Exhibitions asserts itself not as a resolved event, but as an ongoing process, continuously open to reactivation and reconfiguration.
In this context, Exhibitions privilege attention, rhythm, and atmosphere over narrative resolution. The works do not seek to illustrate concepts or stabilise meanings, but to establish situations in which perception unfolds gradually, through movement, pause, and return. By resisting spectacular display, the project foregrounds the material, sensory, and temporal qualities of the elements presented, affirming interpretation as an active process rather than a predetermined outcome.
Accordingly, the project favours open installations and provisional configurations. In this sense, Exhibitions operates from an operative position: it does not propose definitions of what art is, but articulates ways of working, exhibiting, and looking. Curatorial decisions emerge from an attentiveness to context, rhythm, and the negotiation between objects and space, sustaining conditions of perception over time rather than relying on immediate legibility or visual impact.
Each exhibition recognises the spectator as an active participant in the construction of meaning, based on the understanding that perception emerges from bodily and temporal engagement with images, objects, and space. Situated within a lineage of post-minimalist, process-based, and conceptual practices that understand the exhibition as a discursive and temporal medium, in which meaning is constructed through duration and through relationships between elements, the project also aligns itself with a phenomenological approach to experience, particularly the French tradition articulated by Maurice Merleau-Ponty, in which meaning emerges from lived perception and from the body’s relationship with the world. In this context, the exhibition is not a point of arrival or a conclusion, but an operative condition — a site of inquiry in which perception remains active and in which the act of looking asserts itself as a sustained and shared practice.
English
Exhibitions é um projecto curatorial que entende exposições diversas não como apresentações finais de um conjunto de obras, mas como estruturas críticas nas quais imagens, objectos e dispositivos espaciais são testados, deslocados e reconfigurados. Em vez de funcionar como síntese de uma prática artística, cada exposição afirma-se como uma proposta concreta, indissociável do seu contexto. O sentido constrói-se ao longo da duração da experiência do visitante, na articulação entre tempo e espaço.
Neste projecto, o espaço expositivo torna-se um campo de investigação e experimentação — um processo aberto, em vez de uma exposição fechada. Imagens, sons e materiais organizam-se através de processos de selecção, sequenciação e instalação que privilegiam o inacabado sobre o definitivo, permitindo que as relações entre objectos, intervalos e ausências — enquanto espaços e silêncios produzidos pela montagem — emerjam através da atenção e do envolvimento sustentados do espectador. O foco desloca-se da imagem enquanto unidade autónoma para as condições da sua aparição: como as imagens coexistem, como são abordadas e como são percepcionadas ao longo do tempo. O que está em causa não é apenas o que é mostrado, mas aquilo que é activado pelo modo como aparece. Quando objectos como óculos ou peças de vestuário são deslocados do seu uso habitual e colocados em relação com outras imagens e com o espaço, operam como vestígios de um corpo desocupado, produzindo um deslocamento perceptivo no espectador. Este efeito pode evocar inquietação, intimidade ou uma sensação de assombro — a sugestão de uma presença que se retirou, deixando vestígios em vez de representações. Exhibitions afirma-se, neste sentido, não como um acontecimento resolvido, mas como um processo em curso, continuamente passível de reactivação e reconfiguração.
Neste contexto, Exhibitions privilegia a atenção, o ritmo e a atmosfera em detrimento da resolução narrativa. As obras não procuram ilustrar conceitos nem estabilizar significados, mas estabelecer situações nas quais a percepção se desenvolve gradualmente, através do movimento, da pausa e do regresso. Ao resistir à exibição espetacular, o projecto evidencia as qualidades materiais, sensoriais e temporais dos elementos expostos, afirmando a interpretação como um processo activo e não como um resultado previamente determinado.
Assim, este projecto favorece instalações abertas e configurações provisórias. Neste sentido, Exhibitions opera a partir de uma posição operativa: não propõe definições sobre o que é a arte, mas articula modos de trabalhar, de expor e de olhar. As decisões curatoriais emergem da atenção ao contexto, ao ritmo e à negociação entre objectos e espaço, sustentando condições de percepção ao longo do tempo em vez de dependerem de uma legibilidade imediata ou de impacto visual.
Cada exposição reconhece o espectador como participante activo na construção de sentido, partindo do entendimento de que a percepção emerge do envolvimento corporal e temporal com imagens, objectos e espaço. Inserido numa linhagem de práticas pós-minimalistas, processuais e conceptuais que entendem a exposição como um meio discursivo e temporal, no qual o sentido se constrói na duração e na relação entre elementos, o projecto aproxima-se igualmente de uma abordagem fenomenológica da experiência. Essa abordagem inscreve-se na tradição francesa articulada por Maurice Merleau-Ponty, na qual o sentido emerge da percepção vivida e da relação do corpo com o mundo. Neste contexto, a exposição não é um ponto de chegada nem uma conclusão, mas uma condição operativa — um lugar de interrogação onde a percepção permanece activa e onde o acto de olhar afirma-se como uma prática sustentada e partilhada.
