Project Statements Rebuilding Memories

Curatorial statement

Rebuilding Memories is a long-term photographic project, in continuous development, grounded in the relationship between lived experience, memory, and territory. It understands photography not as a punctual or occasional act of recording, but as a prolonged process of observation. The images emerge as traces of an ongoing practice, in which time, movement, and permanence shape the way of looking and of remaining in place.

Memory arises from the experience lived through the body along the photographer’s path, with photography understood as a space of listening and tension: a relational field in which sensory receptivity and conscious decision coexist. The body that moves through the territory is the site where the stimuli of observation are processed and inscribed, accumulating memories that photography later recalls and reactivates.

The composition, distance, and rhythm of the images result from a slow approach, shaped by the duration of observation, the atmosphere of places, and attention to their modes of appearance. By rejecting spectacularisation, the images seek to remain faithful to what is effectively observed in each moment, asserting themselves as interpreted and decoded truths, shaped by the photographer’s senses and way of seeing.

Developed since 1978, across different geographical contexts, the project forms part of a broader inquiry into customs and, above all, into memory embodied in the experience of places. The images do not aim to fix narratives or offer conclusive readings; they present themselves as “open works”, proposing a space of permanence and relation in which the viewer is invited to reconstruct meanings and interpretations, recognising in the image an active, continuous, and shared form of memory.

English

Rebuilding Memories é um projecto fotográfico de longa duração, em desenvolvimento contínuo, que se constrói a partir da relação entre a experiência vivida, a memória e o território, entendendo a fotografia não como um acto de registo pontual ou ocasional, mas como um processo prolongado de observação. As imagens surgem como vestígios de uma prática continuada, em que o tempo, a deslocação e a permanência estruturam a forma de olhar e de permanecer no lugar.

A memória nasce da experiência vivida pelo corpo ao longo do percurso do fotógrafo, sendo a fotografia entendida como um espaço de escuta e de tensão: um campo relacional onde a recepção sensível e a decisão consciente coexistem. O corpo que atravessa o território é o lugar onde os estímulos da observação se processam e se inscrevem, acumulando memórias que, mais tarde, pela fotografia, são recordadas e reactivadas.

A composição, a distância e o ritmo das imagens resultam de uma aproximação lenta, marcada pelo tempo de observação, pela atmosfera dos lugares e pela atenção às suas formas de manifestação. Recusando a espetacularização, as imagens procuram permanecer fiéis ao que é efectivamente observado em cada momento, afirmando-se como verdades interpretadas e descodificadas pelo fotógrafo, a partir dos seus sentidos e da sua forma de ver.

Desenvolvido desde 1978, em diferentes contextos geográficos, o projecto integra uma investigação mais ampla sobre os costumes e, sobretudo, sobre a memória incorporada na experiência dos lugares. As imagens não pretendem fixar narrativas nem oferecer leituras conclusivas; assumem-se como “obras abertas”, propondo um espaço de permanência e de relação, onde o espectador é convidado a reconstruir sentidos e interpretações, reconhecendo na imagem uma forma activa, contínua e partilhada de memória.

Português